Mercados operam sem direção definida após decisão de grandes BCs

NESTA MANHÃ
Nesta manhã: Mercados operam sem direção definida após da decisão de grandes BCs.
  • As bolsas asiáticas fecharam sem direção única, enquanto investidores monitoram a crescente divergência entre as políticas monetárias dos EUA e do Japão. Desse modo, o Nikkei recuou 1,77%, o índice Xangai Composto subiu 0,96% e o Hang Seng avançou 1,16%.  
  • O BoJ, o banco central japonês, manteve sua política ultra-acomodatícia inalterada, dois dias após o americano Fed elevar seu juro básico em 75 pontos-base, no maior ajuste do tipo desde 1994. Após a decisão do BoJ, seu presidente, Haruhiko Kuroda, disse que apertar as condições monetárias seria inapropriado no momento. No entanto, destacou que a rápida desvalorização do iene, que opera perto dos menores níveis ante o dólar desde 1998, é negativa para a economia japonesa.
  • Na Europa, as bolsas operam em alta. Contudo, ainda devem encerrar a semana com perdas significativas à medida que uma série de aumentos de juros por grandes BCs reforçou temores sobre uma forte desaceleração da economia global. Assim, o índice Stoxx Europe opera avançando 1,16%, no entanto, acumula mais de 3,50% de queda na semana.
  • A taxa anual de inflação ao consumidor (CPI) da zona do euro atingiu nova máxima histórica de 8,1% em maio, conforme dados finais divulgados Eurostat. O resultado confirmou a leitura preliminar e veio de acordo com a expectativa de analistas consultados pelo WSJ.
  • Os futuros dos índices de ações de Wall Street indicam abertura em alta.
  • O rendimento do T-Notes de 10 anos está em 3,22%.
  • Os contratos futuros do Brent sobem 0,94% a US$ 120,94 o barril.
  • O ouro está caindo 0,57%, a US$ 1.846,80 a onça.
  • O Bitcoin negocia a US$ 20,9 mil
AGENDA DO DIA
  • 09:45 EUA: Discurso Jerome Powell (Presidente Fed)
  • 10:15 EUA: Produção Industrial (Mai)

RESUMO DO FECHAMENTO ANTERIOR
BRASIL

Na quinta-feira (16), feriado nacional de Corpus Christi, não houve negociação na bolsa brasileira. No dia 15, o mercado fechou em alta após decisão do Fed em elevar seus juros em 0,75 ponto porcentual. O pregão também foi de expectativa do resultado do Copom, que saiu na noite de quarta-feira (15). Dessa forma, o Ibovespa fechou em alta de 0,73%, aos 102.806,82 pontos. 

Os juros futuros fecharam em queda, com alívio dos Treasuries e do câmbio. A taxa do DI de 2023 fechou em 13,60%, de 13,698% e a de 2027 ficou em 12,67%, de 13,01% anteriormente. Ao passo que o dólar caiu 2,07%, chegando a R$ 5,027, alinhado com o enfraquecimento da moeda americana no exterior, na esteira de declarações do presidente do Fed sobre o ajuste monetário.   

EXTERIOR

As bolsas de Nova York fecharam com quedas robustas, com os três principais índices nos menores níveis em mais de um ano e meio. Após aumentos de juros nos Estados Unidos, Suíça e Reino Unido, investidores temem que a postura agressiva de bancos centrais no combate à inflação deflagre uma recessão nas principais economias. O Dow Jones caiu 2,42%, enquanto o S&P500 perdeu 3,25% e o Nasdaq tombou 4,08%.

Os juros dos títulos do Tesouro americano cederam, com consequente elevação de preços dos papéis, à medida que o mercado assimila os efeitos do aperto monetário em curso nos países desenvolvidos e ponderam o risco de o processo levar a uma recessão. O DXY fechou a sessão em forte desvalorização, com queda de 1,45%. As elevações de juros no Reino Unido e Suíça e o reforço no compromisso do BCE contra a fragmentação do mercado de títulos, se somaram a sinalizações de que o Fed pode diminuir a intensidade da elevação dos juros. 

O Conselho do BCE orientou a área técnica da entidade a acelerar a criação de um instrumento para mitigar os riscos de fragmentação na zona do euro. A informação foi confirmada em comunicado divulgado após reunião emergencial. Além disso, a autoridade monetária decidiu também aplicar flexibilidade nos resgates a vencer do Programa de Compras de Emergência de Pandemia (PEPP), com objetivo de preservar o “funcionamento do mecanismo de transmissão monetária”.

INDICADORES ECONÔMICOS NOS EUA

As vendas no varejo dos EUA registraram queda de 0,3% em maio, na comparação com abril, a US$ 672,9 bilhões, de acordo com o Departamento do Comércio. O resultado contrariou a previsão de alta de 0,1% dos analistas ouvidos pelo WSJ. O resultado de abril foi revisto para uma alta de 0,7% frente ao mês anterior, de um avanço de 0,9% antes informado.

O Fomc decidiu elevar a taxa dos Fed Funds em 75 pontos-base, para a faixa entre 1,50% e 1,75% ao ano, conforme comunicado na quarta-feira (15), maior elevação desde 1994. O presidente do Fed, Jerome Powell, disse que a alta promovida nos juros é “incomumente alta” e que não espera que essa intensidade “se torne comum”. Reforçou a necessidade de novos aumentos para trazer a inflação para a meta de 2% e afirmou que o ritmo continuará a depender dos indicadores econômicos e da evolução das perspectivas para a economia do país.

Para 2022, a mediana para a taxa dos Fed funds subiu de 1,9% em março para 3,4% agora. Para 2023, a projeção foi de 2,8% a 3,8%. Ao mesmo tempo que para 2024, de 2,8% a 3,4%. Em relação ao PIB, as projeções para 2022 passaram de 2,8% em março para 1,7% agora. Para 2023 passou de 2,2% a 1,7% e 2024 de 2% a 1,9%. Ao passo que a mediana das estimativas para inflação para este ano subiu de 4,3% em março para 5,2%. A de 2023 foi de 2,7% a 2,6% enquanto a de 2024 passou de 2,3% para 2,2%.  

INDICADORES ECONÔMICOS NO BRASIL

 Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) subiu 0,74% em junho, após ter aumentado 0,10% em maio, conforme divulgado pelo IBRE-FGV. O resultado ficou abaixo da mediana (0,78%) das estimativas dos analistas do mercado. Desse modo, o IGP-10 acumulou um aumento de 8,53% no ano. A taxa em 12 meses ficou em 10,40%.

Quanto aos três indicadores que compõem o IGP-10 de junho, os preços no atacado medidos pelo IPA-10 tiveram alta de 0,47%. Ao passo que os preços ao consumidor verificados pelo IPC-10 apresentaram aumento de 0,72% em junho. Ao mesmo tempo, o INCC-10, que mede os preços da construção civil, teve alta de 3,29% em junho.

Apesar de o cenário desafiador nas frentes inflacionária, externa e fiscal, o Copom cumpriu o prometido e reduziu o ritmo de alta da Selic. Dessa forma, a taxa subiu 0,50 ponto porcentual, para 13,25%, em decisão unânime. No comunicado, enfatizou que os principais riscos que enxerga são o conflito no Leste Europeu, que pressiona o preço do petróleo, e o arcabouço fiscal. Além disso, o BC sinalizou que antevê um novo ajuste de igual ou menor magnitude na próxima reunião.

Para ler mais sobre a decisão do Copom, acesse nosso relatório

POLÍTICA NO BRASIL

A Câmara concluiu a votação dos destaques ao projeto de lei complementar que fixa o teto de 17% para o ICMS, sem alterações no texto-base. A proposta, que faz parte do pacote negociado entre governo e Congresso para reduzir preços, aguarda agora a sanção do presidente Jair Bolsonaro. O texto-base do projeto foi aprovado com 307 votos favoráveis e apenas 1 contrário. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), decidiu refazer essa votação por questão de segurança após o painel do plenário ter apresentado problemas técnicos na terça (14), quando a aprovação se deu com 348 votos a favor e nenhum contra. (Valor)

A Petrobras deve anunciar nesta sexta-feira (17) reajustes nos preços da gasolina e do óleo diesel, informou uma fonte ao Valor. Os novos preços podem entrar em vigor a partir de sábado (18). Os percentuais não foram debatidos na reunião extraordinária ocorrida na tarde da quinta-feira (16) para tratar do tema. 

Para mais notícias de Brasília, acesse o Panorama Político.

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