Cenário econômico e projeção – Painel 15 – 30/05/2022

Projeções macroeconômicas para 2022

IndicadorÚltimo 16.05.2022Atual
30.05.2022
COMENTÁRIOS
PIB do Brasil1,0%1,3%A projeção de PIB foi alterada para 1,3% em 2022. Os indicadores de alta frequência vêm mostrando maior resiliência da atividade econômica, indicando que a política monetária restritiva ainda não impactou o setor.
Assim como o esperado, Monitor do PIB da FGV apontou avanço de 1,5% da atividade no 1º trimestre. Pelo lado da oferta esse número foi impulsionado principalmente pelo grupo de Serviços, refletindo a recuperação do setor desde a pandemia. Já pelo lado da demanda, o Consumo das Famílias foi o principal vetor de alta.
O Projeto de Lei Complementar (PLP 18/22) prevê um teto de 17% para o ICMS de energia elétrica, combustíveis, transporte coletivo e serviços de telecomunicações. Essa redução de imposto pode impulsionar ainda mais a atividade, pelo efeito riqueza, ao baratear alguns bens e serviços, o que tende a virar estímulo ao crescimento via Consumo das Famílias.
Apesar de vermos um bom primeiro semestre, esperamos que o segundo semestre não tenha tanto espaço para crescimento, dada a alta inflação e a política monetária mais restritiva. Contudo, com a possível diminuição de preços para bens essenciais das famílias, não seria despropositado imaginar alguma surpresa positiva.   
Resultado Primário-1% a -1,5%-1% a -1,5%Mantivemos nosso alvo para o déficit primário em 1,2% com um intervalo entre 1% e 1,5% do PIB, pois a demanda por mais gastos permanece.
Nos últimos dias, várias medidas (PLP do ICMS, por exemplo) podem trazer potenciais efeitos negativos sobre o primário. Ademais, seguem as pressões por aumento de salário do funcionalismo, liderados por repartições importantes, como BC e Tesouro.
Em contrapartida, estamos assistindo números positivos de arrecadação.
Consideramos provável que o governo acabe cedendo em parte a essas pressões.  Ao mesmo tempo, um melhor resultado dependerá da arrecadação, que se beneficia da inflação mais elevada.
SELIC13,25%13,25%Seguimos com a nossa projeção da taxa Selic do ano em 13,25%.
Apesar de a inflação estar se mostrando mais persistente do que o esperado, acreditamos que o fim do ciclo de aperto monetário chega ao fim na próxima reunião. Afinal, é o plano de voo que tem sido sinalizado pelos diretores do BC.
Nesse sentido, a taxa Selic seguiria no patamar de 13,25% até junho de 2023, quando teria início o ciclo de cortes.
Nesse meio tempo, os riscos são novos choques inflacionários, externos e internos, além de maior deterioração do quadro fiscal.
IPCA8,6%9,2%Revisamos nossa projeção de IPCA para 9,2% em 2022.
Nesse sentido, o IPCA-15 de maio surpreendeu em alta (0,59%), 14 bps acima da expectativa do mercado. É o maior resultado para o mês desde 2016. Além disso, não é possível apontar apenas um vilão para esse quadro inflacionário, reflexo do cenário de aumento de preços generalizado.
Por outro lado, o governo vem tentando aprovar algumas medidas para tentar segurar a inflação do ano. Ainda em tramitação e cercado de incertezas, a Câmara aprovou projeto que estabelece teto de 17% para o ICMS para bens e serviços relativos a combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo.
Por certo, essa medida tem potencial deflacionário, que calculamos ser em torno de 110 bps (-40 bps para energia elétrica e -70 bps para gasolina).
Sob o mesmo ponto de vista, também com preocupação sobre a inflação, o Ministério da Economia anunciou nova redução de 10% nas alíquotas de imposto de importação para feijão, arroz, carne, massas e materiais de construção até dez de 2023. Contudo, não achamos que essa medida tem grande força deflacionária, pelo Brasil já importar muitos produtos sem taxa dentro do Mercosul.
Dessa forma, seguimos esperando que o pico inflacionário tenha sido atingido na última leitura do IPCA, em abril. A inflação vem se mostrando mais inercial e persistente do que o esperado, mas as medidas do governo para segurar a aceleração dos preços administrados tem grande potencial baixista para o ano.
DólarR$ 5,00 a
R$ 5,10
R$ 5,00 a
R$ 5,10
Nossa moeda voltou a se valorizar nos últimos dias. Por outro lado, mantivemos o intervalo para o câmbio médio de 2022, visto que foi uma apreciação em linha com nossas expectativas, de R$ 5,10 para R$ 4,75 (em torno de 7%).
Todavia, incluímos o valor esperado da taxa ao final do ano, admitindo que a taxa reaja de maneira distinta às vitórias de Bolsonaro ou Lula, nas eleições de outubro.
Desse modo, admitindo 50% de chances para cada um, teríamos um valor esperado em R$ 4,70.
Ibovespa130 mil pts130 mil ptsApós recuar para níveis de 102 mil, o Ibovespa se recuperou, conforme nossa projeção.
Naqueles níveis, o índice voltou a negociar com múltiplo P/L de 6,5x, por certo muito atrativo, inclusive porque os resultados corporativos estão sendo bons.
Dessa forma, para o fim do ano, permanecemos com nossa projeção de que o valor esperado fique em torno de 130 mil pontos, apesar de eventuais direções antagônicas de curto prazo após as eleições.
Ademais, o nosso maior receio seria uma debacle nos índices acionários americanos. Afinal, um eventual “crash” poderia transbordar para nosso mercado.
Juros EUAfaixa de
2,5% a 2,75%
faixa de
2,75-3,0%
Com a ata do FOMC muitos analistas começaram a especular que o FED possa engrenar duas elevações consecutivas de 50 bps para depois interromper o processo.
Em contrapartida, divergimos dessa avaliação. O último PCE (0,3%), a despeito de vir dentro das expectativas e reduzir levemente o acumulado de 12 meses (6,3%), ainda é problemático.
De fato, a inflação está disseminada, incluindo preços dos aluguéis. Estes dispararam em diversas regiões do país.
Outrossim, permanecemos com a projeção de que o FED deverá elevar a taxa para território contracionista. Desse modo, teriam duas elevações de 50 bps e outras três de 25 bps até o final de 2022.

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