Análise Copom – Maio 2022

De volta com todos seus diretores, o Copom do Banco Central decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 100 bps para 12,75% a.a., exatamente como esperado pelo mercado financeiro. É a maior taxa desde 2017.

Consideramos que essa décima elevação consecutiva da taxa pode ser a penúltima do atual ciclo de aperto monetário. O ambiente inflacionário é bastante desafiador, agravado pelos choques de preços de commodities, provenientes do conflito entre Rússia e Ucrânia e pelo forte componente inercial, que dificulta o processo de desinflação.

No comunicado pós-reunião, diferentemente do usual, a autoridade monetária não explicitou exatamente seu próximo movimento. Salientou, apenas, que considera provável uma nova alta, de menor magnitude, mantendo a política monetária em território contracionista. Assim sendo, consideramos que o Copom poderá promover uma derradeira elevação de 50 pontos em junho, levando a taxa terminal para 13,25% a.a.

Sem fugir do roteiro adotado há algum tempo, o Copom salientou os fatores de risco em ambas as direções, mas permaneceu dando ênfase às incertezas em relação ao lado fiscal, que comprometem as expectativas inflacionárias. Sem dúvidas é um tema importante, especialmente num ano eleitoral onde os dois candidatos que lideram as pesquisas flertam com o fim do Teto dos Gastos.

Por fim, a decisão do FOMC do Fed de hoje, de elevar em 50 pontos a taxa de juro americana, é um evento a se ressaltar, mas não nos causa maiores apreensões sobre eventuais consequências sobre a nossa política, em termos de estendê-la, como alguns analistas vêm sugerindo. Como o Banco Central brasileiro se antecipou, corretamente a nosso ver, no processo de aperto monetário ainda em 2021, não enxergamos uma relação mecânica, quase simbiótica, das resoluções de lá com as daqui. Mesmo porque Jerome Powell deixou subentendido, na coletiva depois da reunião, que não pretende, pelo menos por ora, acelerar o passo, para 75 pontos por exemplo (hipótese aventada nos últimos dias pelo mercado), o que indica um patamar mais comedido para a taxa ao final do ciclo, provavelmente não muito além dos 3% a.a.

Alexandre Espirito Santo – Economista-Chefe

Elisa Andrade – Analista de Macroeconomia

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