Análise Copom – Fevereiro 2022

Seguindo o roteiro previamente estabelecido, sem muitas surpresas, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu elevar, na reunião de hoje, a Selic em 1,5 p.p., para 10,75% a.a., conforme sua sinalização de dezembro e em linha com as apostas majoritárias do mercado.

Com a taxa em patamar acima de dois dígitos pela primeira vez em cinco anos, o mais aguardado nem era tanto o resultado em si, mas o comunicado pós-reunião, que poderia antecipar o movimento de março.

Nesse sentido, a autoridade monetária optou, a nosso ver corretamente, em não se comprometer com nova elevação de igual magnitude no próximo encontro, a despeito de salientar que a política contracionista é adequada para o momento. Literalmente, o Copom destacou que “antevê como mais adequada a redução do ritmo de ajuste na taxa básica”.

Uma vez que existe um interstício temporal na política monetária, entre a tomada de decisão e sua efetividade, nos parece prudente aguardar para avaliar como o choque de juros em curso vai afetar a economia, pelos seus potenciais efeitos desinflacionários, bem como pela ancoragem das expectativas à meta, especialmente sobre a de 2023.

Cabe ressaltar, por oportuno, que em anos eleitorais as pressões por maiores gastos são comuns em nosso país e a fragilidade fiscal tem sido uma das razões do forte movimento de alta dos juros. Assim, a tarefa do Banco Central torna-se ainda mais desafiadora: ancorar as expectativas, sem asfixiar a economia, que tenta ganhar tração depois da pandemia.

Por fim, permanecemos com a visão de que parte da inflação atual está sendo impulsionada por choques de oferta e inércia, e não por aquecimento de demanda. Dessa forma, movimentos muito acentuados de alta na Selic, acima de 11,5% a.a., podem acabar sendo contraproducentes, pois tendem a afetar pesadamente o lado produtivo, sem, no entanto, alcançarmos o resultado desejado de fazer o IPCA convergir para o centro da meta em 2022.

Alexandre Espirito Santo – Economista-Chefe

Elisa Andrade – Analista de Macroeconomia

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