Panorama Político – 01/10/2021

Crise do teto da dívida dos EUA

por Lorena Laudares, Mestre em Ciência Política

Os impasses atuais no Congresso americano giram em torno do principal eixo de divergência entre republicanos e democratas: o fiscal.

O financiamento do governo expirava no dia 01 de outubro e era preciso encontrar recursos para manter a máquina pública funcionando. Aumentar  o teto da dívida é uma das medidas levantadas pelos democratas. A Secretária do Tesouro, Janet Yellen, calcula que o governo ficará sem dinheiro no dia 18 de outubro, podendo não honrar seus compromissos.

A Câmara dos EUA aprovou um pacote que financiaria o governo até 3 de dezembro de 2021 e suspenderia o teto da dívida até 16 de dezembro de 2022. A medida ainda precisa passar pelo Senado. Contudo,* o líder dos republicanos na casa, Mitch MacConnell vem bloqueando a agenda*, na tentativa de obrigar o governo Biden passar o aumento do teto por meio da “reconciliação” – um procedimento legislativo que permite que temas fiscais sejam aprovados no Senado por maioria simples, quantidade de votos que os democratas possuem sem apoio da oposição. 

A questão é que Joe Biden não quer utilizar essa “carta na manga” da reconciliação para a questão do teto, e sim para o pacote de medidas sociais, que é mais polêmico. O presidente dos EUA cobra responsabilidade dos republicanos, visto que mais de um quarto da dívida, cerca de US$ 8 trilhões, foi incorrido durante os quatro anos do governo Trump. 

Na mesa, também está o Plano de Investimento em Infraestrutura de US$ 1 tri. Esse é mais consensual entre os parlamentares americanos e justamente por isso, a ala mais progressista dos democratas quer condicionar a aprovação do pacote de infra ao pacote social. 

O aumento de gastos com assistência infantil, moradia e benefícios de saúde, mensalidades gratuitas em universidades comunitárias e subsídios para energia limpa, de acordo com o proposto por Biden, deve ser financiado com os recursos de aumento de impostos.

Está em discussão esta semana o real tamanho desse pacote, com os democratas buscando chegar em um entendimento dentro do próprio partido. O maior receio dos democratas é eles acabarem sendo punidos nas urnas no ano que vem nas eleições de meio de mandato, por travarem os investimentos e a geração de emprego pela renovação da infraestrutura do país.

Em meio a essa contenda, os investidores aguardam cautelosos por um desfecho. Os yields dos títulos públicos americanos vêm sendo negociados em patamares mais elevados, acima dos 1,5% para o T-note de 10 anos.

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