Panorama Político – 26/08/2021

O PSDB em 2022, a possível candidatura do Dória e a PEC da reforma eleitoral

por Lorena Laudares, Mestre em Ciência Política

O PSDB vai realizar as prévias do partido para escolher o candidato para as eleições de 2022 no dia 21 de novembro. Estão na disputa o governador de São Paulo, João Dória, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, o senador Tasso Jereissati, e Arthur Virgílio, ex-prefeito de Manaus. 

*A campanha de Dória ganhou um reforço ao receber o apoio do ex-presidente FHC *que disse: “qual é o x da política? É a capacidade de juntar. Quem junta mais? É o Doria neste momento.”

É pouco provável que o PSDB desista de ter um nome nas urnas, mas Aécio Neves é um obstáculo importante à essa iniciativa de Dória. O deputado defende que lançar uma candidatura presidencial em uma eleição tão polarizada como a de 2022 é desperdício de recursos que poderiam ser direcionados para os pleitos em que o partido teria mais chances de expandir seu poder, como eleições regionais e para o Congresso. 

Outra dificuldade que Dória pode encontrar é pela sua postura de pouco diálogo. Para conseguir se viabilizar como uma “terceira via” é preciso criar pontes com outros partidos, especialmente com o PSD. O partido de Gilberto Kassab está buscando atrair o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para o PSD e lançar candidatura própria. 

O que deve definir o posicionamento de diversos partidos é a PEC da reforma eleitoral (PEC 125/11). Se aprovada, essa PEC volta com a possibilidade de criar coligações nas eleições proporcionais (deputados e vereadores) a partir de 2022, modificando as estratégias de campanha. 

Com as coligações, além do coeficiente eleitoral ser calculado com base em todos os votos recebidos pela aliança, o tempo de rádio e TV de cada partido é somado ao do grupo. Isso  significa que o tempo de exposição volta a ser usado como moeda de troca para legendas médias. Os mecanismos de política tradicional (como tempo de TV e acesso ao fundo partidário e eleitoral) foram importantes para as eleições municipais de 2020, indicando que o “fenômeno Bolsonaro” pode não ser uma mudança de paradigma político. 

Dessa forma o apoio do PSD, à direita e PSB, à esquerda, vão ser decisivos para nomes de “centro” que buscam fazer oposição tanto a Lula quanto a Bolsonaro. A PEC 125/11 foi aprovada na Câmara e está no Senado. *Qualquer mudança nas regras eleitorais precisa ser aprovada até o início de outubro, um ano antes do pleito.


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